sábado, 23 de agosto de 2008

Serviços gerais. Bem gerais.

Existem muitas histórias populares. Lendas urbanas correm soltas por aí. Existem as já mostradas e comprovadas, e as que ninguém comprova, mas todos acreditam. Enfim existindo ou não lendas todos respeitam.

Certa feita escutei falar do seu João. Um pacato morador do alojamento de uma mineradora. Não me recordo exatamente a localização precisa desta mineradora, mas sei que é no norte do país, algo como a cidade de Chimbonguinhas no Pará (se não me falha a memória é exatamente neste lugar). Um amigo de longa data estava trabalhando para esta mineradora, um engenheiro de minas recém formado com muita vontade de crescer na vida. Passava algumas semanas lá, em Chimbonguinhas, e voltava para o Sul pra contar as peripécias de um povo diferente do nosso.

As histórias que ele me passou no nosso reencontro foram de darem gargalhadas homéricas, afinal o comportamento de um outro povo, com outra cultura nos deixa intrigado e, confesso, até abestalhado de tanta ignorância. Não que o povo seja ignorante, mas a minha mediocridade frente estes costumes e culturas.

Pois bem. Nessa cidade existia o seu João. Descrição de seu João segundo meu amigo: “Uma pessoa doce com olhar meigo. Um senhor de cabelos brancos, que falava mansa e docemente. Um senhor muito prestativo”. Seu joão prestava serviços para esta empresa, trabalhava nos serviços gerais.

E havia uma lenda sobre este senhor: Quem sair com o seu joão para dar uma volta na cidade não volta. Por que disso fiquei me perguntando.

Meu amigo não soube responder também, fiquei curioso sobre o que fazia seu João com estas pessoas.

Semanas depois mais uma vez voltava meu amigo para o Sul e com uma surpresa! A verdadeira história sobre seu João! Estava excitado em sabê-la. Ficavam brotando idéias e histórias na minha mente fértil.

A verdade sobre seu João. Finalmente! E por mais que eu tivesse imaginado as histórias mais absurdas sobre este senhor, nunca imaginei que aquela história tomaria este rumo.

Seu João era um matador! Um assassino de sangue frio! Há alguns anos tinha sido uns dos maiores da região, todos o conheciam nas cidades vizinhas, mas seu João largou a vida de assassino e se dedicou a outros tipos de serviços, os gerais.

Como imaginar que um senhor, com aquelas descrições, tivesse tal passado?! É cuide sempre. Nem sempre o cão mais manso é o que não morde.

Hoje em dia, sempre que preciso, seu João limpa algumas sujeiras fora de seu horário de trabalho e nem faz pelo dinheiro, mas sim pelo amor ao trabalho.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Todos tem uma Vida dentro de suas vidas.

Certa vez nos longínquos tempos de infância, tinha uma vizinha da minha avó chamada Vida.

Por mais complexo que pareça a Vida era temida por todos sem excessão, pois a Vida era cruel, muitas vezes dura com as crianças e acabava em muitas delas tirando o que as crianças tinham de maior apreço, a diversão.

Nós jogávamos Hóquei no asfalto, era muito engraçado uma mistura de taco com duas goleiras onde quem tinha patins (ou os famosos "Rollers") jogava com, quem não tinha jogava de pés no chão. Claro que os com pés no chão tinham uma vantagem imensa sobre os de patins, ou rollers, tinham mais agilidade, apoio, e atrito o que neste divinal jogo contava muito.

Mas voltando à Vida. Toda vez que uma bola caia no pátio dela podia contar, nunca mais ouvia-se falar da tal bola, eu tinha alguns pesadelos quanto a isso, teria ela um cemitério de bolas no fundo de seu pátio?

Entre a casa da minha avó e a da Vida há uma casa enorme com um telhado muito alto, e incrivelmente TODAS minhas bolas passavam por cima deste telhado e caia exatamente no traiçoeiro pátio da Vida, se não iam direto elas quicavam caprichosamente no telhado avermelhado e pimba, pátio aterrorizante, voltava eu chorando para dentro de casa e já sabiam todos que havia eu perdido mais uma Penalty.

E quanto ao Hóquei, nossa bolinha caiu no pátio dela e ninguém foi buscar, pois todos sabiam o triste final da emborrachada então viramos as costas a caminho de suas casas quando de repente ouvimos um quicar de bolinha, para surpresa geral la estava nossa amada emborrachada Mercúrio verde.

É a Vida tem dessas coisas.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

E pra quem acredita em sereia...

- Pai, é verdade que nascemos do repolho?

- Não meu filho, já ti contei centenas de vezes que não nascemos do repolho, muito menos da sementinha, nem cegonha nenhuma nos traz.

- Sim, assim como não existe Papai Noel, nem coelho da Páscoa, não é?!

- Exato, agora deixa seu pai terminar de ler o jornal, vai.

O menino sai da sala em busca de algo melhor para fazer, e encontra um livro sobre a história de um pirata que ficou perdidamente apaixonado por uma sereia, e navegou milhas e milhas para encontra-la, sempre seguindo o canto enfeitiçador deste ser metade peixe, metade mulher. Mas enfim, nunca encontrou-a.


- Paaaaaaaaai, acabei de ler um livro sobre um pirata que era apaixonado por uma sereia, sereias existem?

- Não meu filho, sereias não existem, e da onde tiraste esse livro?

- Encontrei no armário da sala.

- Bom deve ser meu, ou de sua mãe, mas agora pare com essas leituras além da sua idade, vá ler Peter-Pan, Bela Adormecida, A bela e a fera...

Anos se passaram, o garoto cresceu, leu, releu e aprendeu muito com livros, inclusive os livros sobre sereias, e outros seres mitológicos, e conheçou uma bela moça um dia. Ficou perdidamente apaixonado por ela, tinha fotos em todos lugares, lembranças de todos momentos juntos, só que um belo dia a moça resolveu, de súbito, larga-lo.

Aquelas lembranças ficaram pra sempre em sua memória, ainda vivas. E como o canto de uma sereia ele seguia cada lembrança, refazia tudo, tentava encontrar alguma outra "sereia" para sua vida.

Um dia ele lembrou do que seu pai havia lhe dito, e resolveu procurar algo mais para sua idade, então em uma dessas festas encontrou sua Cinderela, ela não tinha hora para voltar pra casa, e nem sua carruagem se transformaria em abóbora depois da meia-noite.

Tanto que vivem juntos até hoje, é pai de um casal de filhos, que não vieram do repolho, mas que acreditam em sereia.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Ficar ou deixar partir?

Imaginem os Piegas todos soltos pelas ruas, recitando poemas de amor, mostrando as dores do coração.
Trato-os (ou seria nos?) com letra maiúscula como se fossem nomes próprios, Piegas não são aquela boa e velha definição, o qual utiliza-se de clichês, e palavras superlativas sobre o amor para definir, conquistar e/ou manter a vida.
Piegas, pessoa que se embaraça com ninharias, sentimental. Isso segundo o dicionário Aurélio.
Ninharia, coisa sem valor, insignificância; bagatela.

Fazendo relação entre os dois somos pessoas que tratamos os sentimentos de uma forma Piegas, ou de uma forma ninharia? A contradição de um Piegas é o que o torna um Piegas, simples. Ou se preocupa com o sentimental, ou não se embaraça com ninharias, ou ele é Piegas ou é sem sentimentos.
Prefiro que me chamem de Piegas.