segunda-feira, 3 de março de 2008

Todos tem uma Vida dentro de suas vidas.

Certa vez nos longínquos tempos de infância, tinha uma vizinha da minha avó chamada Vida.

Por mais complexo que pareça a Vida era temida por todos sem excessão, pois a Vida era cruel, muitas vezes dura com as crianças e acabava em muitas delas tirando o que as crianças tinham de maior apreço, a diversão.

Nós jogávamos Hóquei no asfalto, era muito engraçado uma mistura de taco com duas goleiras onde quem tinha patins (ou os famosos "Rollers") jogava com, quem não tinha jogava de pés no chão. Claro que os com pés no chão tinham uma vantagem imensa sobre os de patins, ou rollers, tinham mais agilidade, apoio, e atrito o que neste divinal jogo contava muito.

Mas voltando à Vida. Toda vez que uma bola caia no pátio dela podia contar, nunca mais ouvia-se falar da tal bola, eu tinha alguns pesadelos quanto a isso, teria ela um cemitério de bolas no fundo de seu pátio?

Entre a casa da minha avó e a da Vida há uma casa enorme com um telhado muito alto, e incrivelmente TODAS minhas bolas passavam por cima deste telhado e caia exatamente no traiçoeiro pátio da Vida, se não iam direto elas quicavam caprichosamente no telhado avermelhado e pimba, pátio aterrorizante, voltava eu chorando para dentro de casa e já sabiam todos que havia eu perdido mais uma Penalty.

E quanto ao Hóquei, nossa bolinha caiu no pátio dela e ninguém foi buscar, pois todos sabiam o triste final da emborrachada então viramos as costas a caminho de suas casas quando de repente ouvimos um quicar de bolinha, para surpresa geral la estava nossa amada emborrachada Mercúrio verde.

É a Vida tem dessas coisas.